domingo, 31 de maio de 2009

Carta aberta dos trabalhadores de cultura aos trabalhadores do Brasil

Nós, trabalhadores de teatro conjugados no Movimento 27 de Março, buscamos, por meio desta carta-manifesto, o apoio de todos trabalhadores na luta por um novo modelo de política cultural.
A Sociedade tem de se ver na produção cultural de seu País, a cultura não é mercadoria. Não geramos lucro. A forma mercadoria não é capaz de manter viva a cultura de um povo. As manifestações diversas do nosso fazer musical, literário, cinematográfico, cênico, pictórico, etc são esmagadas e condenadas ao desaparecimento por não se enquadrar ao mercado. O mercado não deve ditar o que merece vida. Nós todos, o povo trabalhador, determinamos a dimensão de nossas representações e a nossa riqueza plural e muitas vezes indigesta ao paladar do deus mercado.
As leis que determinam o fazer cultural hoje são baseadas em renúncia fiscal, funcionam a partir dos impostos que as empresas devem para o Estado, ao invés do Estado arrecadar esse dinheiro público para financiar atividades culturais, ele deixa a critério das empresas o investimento em cultura. Por esse mecanismo, o uso dessa verba pública fica a cargo de gerentes de marketing das respectivas corporações, eles que tem como principal interesse o lucro das corporações determinam o que é cultura com o nosso dinheiro, ou seja, por suas distorções podemos considerar as leis de renúncia fiscal como apropriação indébita dos recursos públicos. Bancos que constroem teatros privados com recursos da Rouanet, (Teatro Alpha), injetam dinheiro em seus institutos (Itaú Cultural), ou investem (como o Bradesco) milhões de reais em espetáculos como o do Circo de Soleil, que arrecada, com ingressos caríssimos. Como o Estado deseja de fato incentivar a cultura e o acesso democrático a ela no Brasil sendo refém de um mecanismo como este?
Propomos um fundo público para a arrecadação destes impostos. Exigimos uma política pública para a cultura com vários programas que dêem conta a diversidade da produção cultural brasileira, com recursos orçamentários próprios e regras democráticas, estabelecidas em lei como política de Estado. Somente assim o poder executivo poderá assegurar ao povo o acesso à cultura como direito básico do cidadão, tão importante quanto o transporte, a saúde, a educação ou o saneamento básico.
O financiamento direto do Estado possibilita uma enorme ampliação do número de trabalhadores da cultura, e dá condições à continuidade de pesquisas importantes para o desenvolvimento de linguagens artísticas, democratiza o acesso pela distribuição geográfica e pelo valor do ingresso, aumenta a quantidade e a variedade de espetáculos.
Para isso, é preciso que todos os trabalhadores de todos os setores do país tomem consciência da importância desta luta pela democratização da cultura. Esta carta-manifesto é o primeiro passo neste caminho.

Erich Sant'ana

quarta-feira, 27 de maio de 2009

CARTA MANIFESTO SOBRE A CULTURA DE MOGI DAS CRUZES

Senhores Artistas
Divido com vocês algumas reflexões sobre os cinco primeiros meses da gestão desta Secretaria de Cultura. A saber:
- até o momento não há indícios sobre a construção de uma política pública que vise a formação, fomento e difusão de bens culturais,
- os espaços públicos que não estão fechados estão sucateados e não apresentam condições de receberem apresentações. Durante a Virada Cultural , na apresentação do espetáculo “Nos Trilhos” da Associação de Moradores de Cezar de Souza, o gerador colocado não suportou a carga do refletores locados para o evento. A caixa de luz estourou, o espetáculo foi interrompido, o público foi embora, ficando apenas os pais. Impossível não dizer que os responsáveis pelo evento não sabiam que isto estava fadado a acontecer e decidiram arriscar. O problema só se resolveu mais de uma hora depois, comprometendo o trabalho de crianças, adolescentes e profissionais que trabalharam arduamente para apresentar à cidade de Mogi das Cruzes um espetáculo de qualidade.
- em matéria do jornal Mogi News, feita pela jornalista Barbara Barbosa no dia 19 de maio de 2009, o Secretario afirma que os artistas mogianos que participaram da Virada Cultural foram o que demonstraram interesse. O que o Sr José Luiz Freire chama de interesse? Os nossos projetos estão amontoados na Secretaria de Cultura. Devemos ligar todos os dias para a Secretaria em busca de emprego, trabalho, oportunidade? É isto????
- a capacitação dada pela Secretaria para produtores culturais não teve eco. Terminado o curso, ninguém foi chamado para dialogar sobre o que este grupo de produtores em parceria com o Poder Público poderia fazer pela cidade.
- a palestra sobre Lei de Incentivo realizada no dia 15 de maio, foi uma palestra sobre as maravilhas de Curitiba e de como a Fundação de lá trabalha com as verbas dos Fundos de Cultura guiados pelas Leis canibais de Mercado.
- os Pólos de Cultura, uma das principais reivindicações apresentadas naquele primeiro encontro no início do ano nem de longe foram contemplados. Não há hoje projeto que contemple formação e descentralização da arte e cultura na cidade de Mogi das Cruzes.
- os eventos (CULTURA NÃO SE FAZ COM EVENTOS!!!!!) são fracos, não representam, nem contribuem para a formação da identidade e do imaginário do povo mogiano e estão longe do alto potencial artístico que a cidade possui.
- não há informação sobre o orçamento existente para a Pasta da Cultura e muito menos de que modo ele está sendo gasto este ano. Esta é uma informação essencial para o debate sobre a construção de uma política cultural.
Arte e Cultura são direitos do cidadão. É o mecanismo pelo qual ele reflete sobre si, sobre sua condição humana. É o que nos livra da selvageria. É modo pelo qual contamos nossa história, quem somos, que futuro desejamos. As coisas não podem continuar como estão. É PRECISO AVANÇAR!!!!

Priscila Nicoliche - Cidadã, artista, diretora do grupo Quântica Teatro Laboratório
Tuane Vieira – Presidente da APAC – Associação Paulista de Artes Cênicas
Pedro Gabriel e Rita Bonfim – AJPS – Cezar de Souza
Marineis Dias – Artista Plástica - Sabaúna
Prof º Mario Sérgio
Denise Costamillan Andere
Manoel Mesquita Junior - Diretor da Cia do Escândalo e Galpão Arthur Netto
Marcio Cardoso - Produtor musical
Fernandes Junior - Diretor do Teatro da Neura
Antonio Carlos Vecchiato
Elias Mingoni
Leandra Clair
Cleiton Pereira -Ator e diretor do Grupo Contadores de Mentira

Agildo Lima

Marcela Lino
O blog Articulação.Cultura é um espaço aberto e livre para as discussões e opiniões relacionadas a Arte e Cultura. Estejam convidados para expor ideías e opiniões. Vamos avançar!!!

saudações a todos
Priscila Nicoliche